Muitos contribuintes acreditam que apenas cirurgias de "emergência" podem ser abatidas do Imposto de Renda. No entanto, a Receita Federal possui um entendimento bastante favorável em relação às cirurgias plásticas. Diferente do que ocorre com gastos em academias ou spas, a cirurgia plástica realizada por médicos habilitados é considerada uma despesa médica legítima.
Contudo, por envolver valores elevados, essa categoria é uma das "queridinhas" da malha fina. Para declarar com segurança no IRPF 2026, você precisa entender o que pode ser incluído e como comprovar o gasto.
1. A Regra Geral: O que pode ser deduzido?
De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, são dedutíveis os pagamentos feitos a médicos de qualquer especialidade. Isso inclui os cirurgiões plásticos.
A dedução é permitida para cirurgias plásticas, sejam elas reparadoras ou estéticas, desde que tenham a finalidade de prevenir, manter ou recuperar a saúde física ou mental do paciente.
O que você pode abater:
Os honorários do cirurgião plástico.
Os gastos com a equipe médica (anestesista, auxiliares).
As despesas hospitalares (internação, sala de cirurgia).
Próteses de silicone (se incluídas na fatura do hospital ou do médico).
2. Onde declarar no IRPF 2026?
Os gastos devem ser informados de forma detalhada para bater com o que o médico informará na DMED (Declaração de Serviços Médicos).
Ficha: Pagamentos Efetuados.
Código 10: Médicos no Brasil (para os honorários do cirurgião e anestesista).
Código 26: Estabelecimentos hospitalares (para a conta do hospital).
Discriminação: Informe o nome do profissional/hospital, o CPF/CNPJ e, se possível, o tipo de procedimento realizado.
3. O Perigo das Próteses de Silicone
Aqui está o maior motivo de retenção em malha fina neste tema.
Se você comprou a prótese por fora e tem uma nota fiscal de uma "loja de produtos médicos", esse valor não é dedutível.
Para que a prótese seja dedutível, o valor dela deve integrar a conta do hospital ou a nota fiscal emitida pelo médico/clínica que realizou a cirurgia.
4. O que NÃO pode ser deduzido
Apesar da flexibilidade com a cirurgia em si, gastos periféricos ficam de fora:
Drenagem Linfática e Massagens: Se feitas em clínicas de estética por esteticistas, não são dedutíveis. Só podem ser abatidas se realizadas por fisioterapeutas (Código 13) e com finalidade terapêutica pós-operatória.
Cintas Modeladoras e Sutiãs Pós-Cirúrgicos: São considerados vestuário/acessórios e não entram na dedução de saúde.
Medicamentos Pós-Operatórios: Remédios comprados em farmácias, mesmo com receita, não são dedutíveis.
5. Documentação: Prepare-se para o Leão
Como cirurgias plásticas costumam gerar uma "queda" brusca no imposto a pagar (ou um aumento na restituição), a Receita Federal pode pedir provas. Guarde por 5 anos:
Notas fiscais e recibos originais.
Contrato de prestação de serviços médicos.
Laudo ou pedido médico que justifique a necessidade da cirurgia (especialmente se for reparadora).
Conclusão
Sim, sua cirurgia plástica pode ajudar a reduzir o imposto de 2026, mas a organização documental é a sua única proteção. Nunca tente "inflar" o valor do recibo ou declarar procedimentos feitos por profissionais que não sejam médicos, dentistas ou fisioterapeutas habilitados.
Além das cirurgias, outros profissionais de saúde são fundamentais no pós-operatório ou na manutenção da saúde mental e física. Como declarar psicólogos e fisioterapeutas corretamente?
No próximo artigo: Gastos com Psicólogo e Fisioterapeuta: Como deduzir sem erro.